Como o yoga pode ajudar o adolescente a experimentar a felicidade durante o crescimento
Quando se fala de adolescência entre adultos, termos como “aborrecência”, fase difícil, pior fase, conflitos etc vêm sempre à tona. Mas será que uma transição feliz da infância para a idade adulta é possível?
Primeiramente vale refletir para quem estamos olhando:
- é para o adulto e sua obrigação de lidar com “as chatices” do adolescente ou
- é para o adolescente, com suas angústias, medos, sensações?
Se olhamos de fora, buscamos forma de resolver nossas questões, seja encaminhando o adolescente para terapias, inscrevendo-o em atividades que vão contribuir na sua fase de desenvolvimento tanto físico quanto mental e emocional, conversando com pares, lendo livros…
São maneiras comuns, mas que colocam sempre em foco a questão como um “problema”, o que, definitivamente, não é. Assim como as fases da infância, como as fases da gestação, a adolescência é uma fase normal do ser humano. Se nós, adultos, não nos colocarmos no centro, mas sim, conseguirmos olhar para o adolescente, podemos ajudá-lo a experimentar mais felicidade nesta fase.

Adolescência: fase de mudanças
As mudanças físicas na adolescência são acompanhadas das mudanças psicológicas. Porém não acontece em linha reta: afinal, até então muitos valores, pensamentos e condutas vivenciados são as estabelecidas pelos adultos da família, agora, o próprio adolescente começa a descobrir quem ele é.
E esta formação da própria identidade passa pelo questionamento de tudo que veio antes, questionamentos que se tornam fonte de conflitos em casa, na escola.
Atenção nessa hora. O jovem irá provocar, experimentar outros pensamentos (para ver o que sente sendo assim ou assado), agir de maneira que contrarie os adultos. Cabe a nós, adultos, neste momento, escolher o caminho de ação:
- Enfrentar e corrigir (assim como fazíamos com a criança que queria colocar a mão na tomada) ou
- Escutar, observar, esperar, apoiar (como fazíamos com a criança que está aprendendo a nadar, ficando por ali, pronto para ajudar apenas SE ela correr perigo ou pedir ajuda)
Parece óbvio, mas não é. Nossa primeira ação é corrigir, é não deixar ir pelo caminho difícil, “errado”. É direcionar para onde achamos que seja o melhor.

No entanto, o que temos que lembrar sempre é: adolescência é fase, e fase é transformação, é movimento. Vem e passa. Precisa ser vivida como o que é e nós, que já passamos por ela, podemos e devemos deixar tudo mais leve.
Aromaterapia também auxilia nesta fase, leia sobre aqui.
Yoga como um caminho
A prática de yoga é benéfica em toda a vida. Na adolescência acompanha as características da fase, sendo eficaz para os ossos e músculos em desenvolvimento, regulação hormonal, equilíbrio psicológico, para organização dos pensamentos, para o aprendizado escolar.
Segundo Rishi Arundhati Saraswati, psicóloga do desenvolvimento e membro da associação Internacional de Terapeutas de Yoga, a “prática de yogasanas ajudam a manter o sistema glandular equilibrado e funcionando adequadamente. Quando se pratica a sequência de asanas se produz uma estimulação e um equilíbrio nas glândulas tireóides. Esta glândula é a segunda mais importante das glândulas do corpo e controla todas as glândulas menores.”
Ela sugere que o Yoga pode acompanhar o adolescente em 3 necessidades: Físico, Felicidade e Foco, para que ele adentre à idade adulta tendo confiança em si mesmo, imagem positiva de si mesmo e autocontrole, personalidade bem formada e capacidade de destacar-se.

Físico
No corpo físico, os asanas (posturas) proporcionam:
- força
- flexibilidade
- saúde para os ossos e músculos
Para esta fase da vida, as sequências – como a saudação ao sol, por exemplo – são mais indicadas, pois são dinâmicas, fáceis de absorver, práticas e, ao mesmo tempo, muito benéficas para o desenvolvimento interno, a regulação hormonal.
Enquanto se executa uma sequência, o jovem associa a respiração e a concentração, recebendo integralmente os benefícios do yoga. Seguido de uma sessão de relaxamento em estado consciente, torna-se uma prática breve, porém completa para manutenção da saúde e bem-estar.
Felicidade
Sendo a felicidade a base da natureza humana, segundo a filosofia do yoga, como podemos ajudar o adolescente experimentar este nível de si mesmo?
Entre conflitos emocionais consigo mesmo, matérias escolares para ler e aprender, provas e decisões para o futuro a tomar, quando o adolescente pode buscar a própria felicidade?
Assim, mergulham em atividades que trazem satisfação imediata, como uma criança a se entupir de açúcar, mas o ciclo acaba não tendo fim, pois o contentamento de verdade não está em jogos, namoros precoces ou drogas.
Para auxiliar, o yoga oferece as técnicas respiratórias, ou pranayamas, capazes de acalmar as emoções, aquietar e limpar a mente de pensamentos desnecessários e negativos.
Um pensar claro traz aterramento, conforto para estar presente e consciente. Sem ansiedade, a gratidão e a felicidade podem aflorar.
Foco
O adolescente não é mais a criança que não tem cobrança alguma de resultados, e ao mesmo tempo não é adulto responsável pelo próprio sustento que precisa passar por cima da preguiça, cansaço e antipatia para produzir. Ele está na transição, começando a sentir o peso de ter prazos e metas, normalmente em relação aos estudos.
Se o adolescente não leva a escola a sério, arcará com as consequências inevitavelmente. Sendo assim, e levando em conta o mundo atual tão cheio de distrações e excesso de estímulos viciantes, como manter o foco na sua formação?
Novamente o yoga aparece como um caminho: técnicas que ajudam a desenvolver a concentração e absorção. O relaxamento consciente (yoga nidra) técnicas de fixação ocular (tratakas), aprender a escutar (nada yoga) e visualizações são exemplos do que o jovem pode praticar.
Concluindo, uma aula de yoga bem planejada, com movimentos, respiração consciente e relaxamento, é uma grande aliada neste período de transição e mais: reverberá no futuro do ser, que irá crescer mais consciente de si, de seus processos físicos, emocionais e mentais, mais seguro e tranquilo para adentrar à vida adulta.
Namastê!
Escrito por Luiza Paim, mãe de 3 (sendo dois adolescentes), yogini e educadora. Atua no projeto Yoga e Educação em Nova Lima, MG. Saiba mais em yoganovalima.com.br.